A apneia do sono também pode atingir crianças e adolescentes. Embora muitas pessoas associem o problema apenas aos adultos, alterações na respiração durante o sono podem prejudicar o crescimento, o aprendizado, o comportamento e a qualidade de vida dos mais jovens.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, aproximadamente uma em cada 30 crianças apresenta apneia obstrutiva do sono. Por isso, o ronco (sinal clínico comum da apneia do sono) e com frequência na infância não deve ser considerado normal e precisa ser investigado.
O que é apneia do sono?
A apneia obstrutiva do sono acontece quando a passagem do ar pelas vias respiratórias fica parcialmente ou completamente interrompido enquanto a criança ou o adolescente dorme.
Durante esses episódios, a respiração pode diminuir ou parar por alguns instantes. O organismo reage provocando pequenos despertares para que a respiração seja restabelecida.
Essas interrupções podem ocorrer várias vezes durante a noite, fragmentando o sono e reduzindo sua qualidade, mesmo que a criança não acorde completamente ou não se lembre do que aconteceu.
Pais e responsáveis devem observar atentamente alguns comportamentos durante o sono da criança e adolescente:
Ronco alto e frequente;
Pausas na respiração;
Engasgos, suspiros ou sensação de sufocamento;
Respiração pela boca;
Sono agitado;
Mudanças frequentes de posição;
Transpiração excessiva durante a noite;
Despertares frequentes;
Xixi na cama depois da idade esperada;
Dormir com o pescoço muito estendido;
Dificuldade para respirar durante o sono.
Irritabilidade e/ou mudança de humor ao despertar.
Gravar um pequeno vídeo da criança dormindo, principalmente quando houver ronco, esforço respiratório ou pausas na respiração, pode ajudar o profissional durante a avaliação. Entretanto, o vídeo não substitui os exames necessários.
Durante o dia deve-se observar os sinais de sonolência excessiva, algumas crianças com apneia podem ficar agitadas, irritadas ou hiperativas durante o dia. Entre os principais sinais, estão:
Dificuldade de concentração;
Queda no rendimento escolar;
Problemas de memória e aprendizado;
Irritabilidade ou mudanças de humor;
Hiperatividade;
Cansaço ao acordar;
Sonolência durante o dia;
Dor de cabeça pela manhã;
Boca seca ao despertar;
Dificuldade para acordar;
Falta de disposição para atividades físicas.
Esses comportamentos podem ser confundidos com preguiça, falta de disciplina ou transtornos de atenção. Por isso, é importante avaliar também como a criança respira e dorme.
O que pode causar apneia em crianças e adolescentes?
Uma das causas mais comuns na infância é o fator anatômico, como aumento das amígdalas e da adenoide, que pode diminuir o espaço para a passagem do ar.
Outros fatores que podem aumentar o risco incluem:
Obesidade ou excesso de peso;
Alterações no formato da face, mandíbula ou palato;
Obstrução nasal frequente;
Rinite e outros problemas respiratórios;
Alterações neuromusculares;
Histórico familiar de apneia;
Síndromes genéticas, como a síndrome de Down.
Na adolescência, o excesso de peso passa a representar um fator de risco ainda mais importante, devido ao aumento da circunferência do pescoço e aumento do tamanho da língua. Cada caso, entretanto, deve ser avaliado individualmente por médico especializado, de preferência, otorrinolaringologista.
Quais são as consequências da apneia na infância?
O sono exerce um papel fundamental no desenvolvimento físico, emocional e intelectual. Quando é interrompido repetidamente, diferentes áreas da vida da criança podem ser afetadas. Sem diagnóstico e/ou acompanhamento profissional a apneia pode estar relacionada a:
Problemas de atenção e aprendizado;
Alterações de comportamento;
Baixo rendimento escolar;
Dificuldades de crescimento;
Alterações metabólicas;
Aumento da pressão arterial;
Sobrecarga cardiovascular;
Piora da qualidade de vida da criança e da família.
O diagnóstico precoce ajuda a evitar que essas consequências acompanhem a criança durante seu desenvolvimento e cheguem à adolescência ou à vida adulta.
Como é realizado o diagnóstico?
A avaliação começa com uma conversa detalhada com os pais ou responsáveis. O profissional analisa os sintomas, os hábitos de sono, o histórico de saúde e os possíveis fatores de risco.
Também pode ser necessário avaliar as amígdalas, a adenoide, o nariz, a mandíbula, o peso e outras características das vias respiratórias.
O exame do sono, conhecido como polissonografia, é utilizado para confirmar a presença da apneia e identificar sua gravidade. Durante o exame, são acompanhadas informações como respiração, oxigenação, frequência cardíaca e atividade cerebral do sono.
Somente a observação dos sintomas não é suficiente para determinar a gravidade do problema.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da causa, da idade, da anatomia das vias respiratórias e da gravidade da apneia. Na maioria dos casos, a cirurgia, mediante detecção das alterações anatômicas é priorizada. As possibilidades podem incluir:
Tratamento de problemas nasais e respiratórios;
Acompanhamento para controle do peso;
Tratamentos ortodônticos ou ortopédicos;
Terapia com aparelhos de pressão positiva, como o CPAP (pacientes acima de 30 kG);
Acompanhamento multidisciplinar.
O CPAP envia um fluxo de ar por meio de uma máscara e ajuda a manter as vias respiratórias abertas durante o sono. Quando indicado para crianças ou adolescentes, seu uso deve ser acompanhado cuidadosamente por médico ou fisioterapeuta especializado na área do sono, de forma individualizada.
Nenhum medicamento, aparelho ou tratamento deve ser iniciado sem orientação profissional.
Quando procurar ajuda?
Procure uma avaliação quando a criança ou o adolescente:
Ronca três ou mais noites por semana;
Apresenta pausas respiratórias;
Dorme de boca aberta;
Parece fazer esforço para respirar;
Acorda cansado frequentemente;
Apresenta queda no rendimento escolar;
Está muito agitado, irritado ou sonolento durante o dia.
Na presença de dificuldade respiratória intensa, coloração azulada nos lábios ou episódios prolongados de falta de ar, procure atendimento médico imediatamente.
Ronco infantil não deve ser ignorado!
Uma criança que ronca frequentemente pode não estar respirando ou descansando adequadamente.
Observar os sinais e procurar uma avaliação especializada são atitudes importantes para proteger o desenvolvimento, o aprendizado e a saúde da criança ou do adolescente.
O diagnóstico e o tratamento adequados podem proporcionar noites mais tranquilas, mais disposição durante o dia e melhor qualidade de vida para toda a família.
Se seu filho ronca, apresenta sono agitado ou dificuldade para respirar durante a noite, entre em contato com o Espaço do Sono e saiba como buscar uma avaliação especializada.
Este conteúdo possui caráter informativo e não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento indicado por um profissional de saúde em sono.